A data foi criada oficialmente pela ONU em 1977, mas outros eventos influenciaram essa origem, através do movimento operário das mulheres; entenda o contexto
O Dia Internacional da Mulher foi criado oficialmente pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 1975, mas alguns eventos influenciaram a origem da data muito tempo antes, principalmente através do movimento operário das mulheres.
Passeata do dia 26 de fevereiro de 1909, em Nova York
No dia 26 de fevereiro de 1909, em Nova York, surgiu uma grande passeata que contou com aproximadamente 15 mil mulheres, exigindo melhores condições de trabalho. Na época, as jornadas chegavam a 16 horas por dia, seis dias na semana, mas não era difícil trabalharem aos domingos também. Além disso, havia uma grande diferença salarial em decorrência dos gêneros.
Clara Zetkin na Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, em 1910, Copenhague
Em agosto de 1910, a alemã Clara Zetkin sugeriu, durante reunião da Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, em Copenhague, a criação de uma jornada de manifestações anualmente, paralisando as fábricas e chamando atenção às pautas relacionadas às trabalhadoras.
Na reunião, havia 100 mulheres, de 17 países, e elas concordaram com a sugestão por unanimidade. Até o momento, não havia uma sugestão de data específica, mas a primeira foi comemorada no dia 19 de março de 1911.
Incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist Company, em 1910, Nova York
No mesmo ano, o incêndio na fábrica de roupas Triangle Shirtwaist Company, em Nova York, foi uma tragédia em uma empresa têxtil, que empregava 600 trabalhadores, sendo a maioria imigrantes judias e italianas com idade entre 13 e 23 anos. Uma parte dos trabalhadores conseguiu fugir, no entanto, o fogo e a fumaça aumentaram e muitos trabalhadores desesperados pularam pelas janelas e algumas mulheres morreram nas próprias máquinas. Ao todo, 146 pessoas morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens.
Para a socióloga Eva Alterman Blay, coordenadora do NEMGE (Núcleo de Estudos da Mulher e Relações de Gênero), professora da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da USP e pioneira nos estudos sobre os direitos das mulheres no Brasil, é provável que a morte das trabalhadoras da Triangle tenha se incorporado ao imaginário coletivo da comemoração do Dia Internacional da Mulher, mas ela deixa claro que o processo para instituir uma data já vinha sendo estudado pelas socialistas americanas e europeias há algum tempo, sendo confirmada com a proposta de Clara Zetkin em 1910.
8 de março de 1917: manifestação das mulheres russas
A manifestação mais marcante aconteceu no dia 8 de março de 1917, quando as mulheres russas reivindicavam “Pão para nossos filhos” e “Retorno de nossos maridos das trincheiras” – para pedir por pão, melhores condições de vida e pela saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial.
A greve das mulheres começou em 23 de fevereiro, pelo calendário juliano, utilizado na Rússia na época. Este dia corresponde a 8 de março no calendário gregoriano — e é quando é comemorado hoje.
Conferência em Moscou e sugestão da data em homenagem à greve das tecelãs, 1921
Em 1921, Alexandra Kollontai propôs, durante conferência realizada em Moscou, na URSS, que fosse adotado o dia 8 de março como data unificada do Dia Internacional das Mulheres, em homenagem à greve das tecelãs em 1917. A partir dessa conferência, a data passou a ser lembrada pela luta das mulheres em todo o mundo.
Assim começou o 8 de março.
Oficialização da ONU, 1975
Em 1975, a ONU; e logo depois a Unesco, em 1977; reconheceram o 8 de Março como Dia Internacional da Mulher, oficializando a data.

