Douglas Koneff diz que governo americano tem grande respeito pelo sistema eleitoral brasileiro
Chefe da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, o encarregado de negócios Douglas Koneff defendeu o sistema eleitoral brasileiro em reunião com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta quarta-feira (21), em São Paulo.
No encontro com o petista, de acordo com relatos, Koneff disse que o governo americano tem grande respeito pelas autoridades eleitorais do país e pela forma como o pleito é organizado. A administração de Joe Biden tem enviado sinais de apoio ao trabalho do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) diante de ataques de Jair Bolsonaro (PL) às urnas eletrônicas e a ministros da corte.
O principal gesto de Washington se deu em julho, quando a embaixada divulgou uma nota afirmando que eleições brasileiras são um modelo para o mundo e que os americanos confiam na força das instituições do país.
O comunicado foi publicado pouco depois de Bolsonaro realizar uma apresentação no Palácio da Alvorada para chefes de missões diplomáticas em Brasília, na qual repetiu mentiras e teorias da conspiração para desacreditar o sistema eleitoral.
Em outro recado contra a escalada golpista de Bolsonaro, o secretário de Defesa Lloyd Austin afirmou ao ministro da Defesa brasileiro, general Paulo Sérgio Nogueira, que o governo Biden espera que o Brasil mantenha a tradição de realizar eleições justas e transparentes.
A reunião de Koneff com Lula vinha sendo negociada há semanas. Também participaram o ex-chanceler Celso Amorim, principal conselheiro do petista para a política externa, e o senador Jaques Wagner (PT). Antes, Lula teve duas reuniões com diplomatas estrangeiros: uma com Rússia, Índia e África do Sul e outra com França, Alemanha, Suíça, Polônia e Holanda.
O chefe da embaixada americana, por sua vez, já se encontrou com dois outros presidenciáveis: Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB). Koneff é encarregado de negócios e comanda a missão porque no momento não há embaixador americano no país. Procurado, o órgão disse que não faz comentários sobre reuniões privadas.
De acordo com pessoas com conhecimento dos temas discutidos, a expectativa dos americanos era ouvir Lula sobre diversos assuntos, entre eles clima, a Guerra da Ucrânia e a linha que um eventual governo adotaria no relacionamento com a China –adversário global de Washington.
Após a reunião, interlocutores disseram que os dois lados avaliaram que haverá espaço, numa eventual administração Lula, para aprofundar a cooperação bilateral em temas como a preservação do meio ambiente e o combate à pobreza na América Latina. Não houve cobranças específicas das duas partes.
No primeiro tema, o petista tenta marcar diferenças em relação a Bolsonaro, acusado de promover uma agenda antiambiental e de incentivar o aumento do desmatamento na Amazônia. O foco da campanha do PT na área foi reforçado em 12 de setembro, com o anúncio de apoio da ex-ministra Marina Silva

