Senador pede impeachment de Bolsonaro

Líder da minoria vê crime de responsabilidade em fala do presidente contra eleições; Lira e Aras seguem em silêncio 

O presidente Jair Bolsonaro insiste em teorias conspiratórias contra eleições (Foto: Agência Brasil)

O líder da minoria no Senado, Jean Paul Prates (PT-RN), protocolou nesta quarta-feira (20) mais um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) por conta da reunião com os embaixadores no Palácio da Alvorada.

Ele aponta crime de responsabilidade pelo uso do canal público, a TV Brasil, para o presidente fazer ataques ao sistema eleitoral brasileiro e às instâncias do Poder Judiciário.

O senador afirma ainda que as declarações de segunda-feira (18) configuram comportamento incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo, também passível de penalização pela lei do crime de responsabilidade.

O senador argumenta que as ilações feitas por Bolsonaro não têm base concreta e que a suposta solução, o voto impresso, já foi analisada e rejeitada pelo Congresso Nacional.

“Em que pese estar no pleno exercício do poder, o presidente denunciado não teve maioria política para sequer aprovar a emenda constitucional sobre a matéria, não podendo colocar em dúvidas questões que não conseguiu resolver pelo viés político”, afirma no pedido.

Este é o 144º pedido de impeachment protocolado contra Bolsonaro. A decisão sobre dar andamento ou não cabe ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que vem ignorando as reclamações.

SILÊNCIO 

Aliás, Lira e o procurador-geral da República, Augusto Aras, seguem em silêncio 48 horas após Bolsonaro repetir acusações contra as urnas eletrônicas, tentar desacreditar o sistema eleitoral e atacar ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Recorrentes, as falas golpistas do presidente desta vez vieram carregadas de agravantes: foram feitas a embaixadores convidados pelo governo na residência oficial, constou da agenda oficial da Presidência e teve transmissão ao vivo pela TV estatal -tudo às vésperas do início da campanha. Desde então, diversas entidades e autoridades já se pronunciaram para rebater Bolsonaro. Movimentos sociais avaliam retomar atos contra o presidente.

LULA

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta (20) que seu concorrente nas eleições de outubro está atacando as urnas eletrônicas porque sabe que irá perder.

“Ele já sabe que vai perder as eleições e está aí inventando mentira contra urnas. Ele foi eleito todas as vezes por urna eletrônica. Ele está querendo criar caso, está desconfiando das urnas, mas no fundo ele não quer que o povo trabalhador desse país vote”, afirmou Lula.

Segundo especialistas em direito ouvidos pela reportagem, Bolsonaro cometeu uma série de crimes na apresentação aos representantes estrangeiros. As declarações, em tese, poderiam levar à cassação ou ao impeachment do mandatário. Porém, não há apelo político para isso.


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