Amigos se unem para pagar faculdade de jardineiro cego que sonha ser professor

A rifa foi totalmente vendida em duas semanas 

(Foto: Reprodução)

Rogério nasceu com uma doença nos olhos, conhecida popularmente como “glaucoma congênito”, começando a perder a visão ainda na infância. Há 5 anos, ele ficou completamente cego mas ainda assim, o problema nunca foi empecilho pra que ele corresse atrás dos próprios sonhos. 

Há 16 anos, Rogério trabalha na Comurg, a Companhia de Urbanização de Goiânia (GO), onde atua na área de jardinagem e enquanto trabalha, o jardineiro também estuda  em uma faculdade particular, onde faz o curso de Pedagogia, via EaD. O material das apostilas não é em braille, mas Rogério está acostumado a driblar os desafios e encontrou uma forma diferente de estudar: gravando as aulas dos professores e anotando tudo que eles falam.

“Gravo a aula e gravo também os textos (em áudio) das apostilas que estou estudando”, disse o jardineiro, acrescentando que a filha e a esposa é quem realizam as leituras das apostilas em voz alta para ele.

Apesar de sua esposa também trabalhar para sustentar as duas filhas, há muitas despesas em casa, além da mensalidade da faculdade e Rogério se viu obrigado a trancar o curso para aliviar as dívidas. “Eu não queria, mas fazer o quê… Inclusive, o dia que eu tranquei, fui lá na faculdade [presencialmente]. Na volta, um quilômetro e meio ‘batendo’ bengala, vim chorando, porque não queria trancar”, relembrou.

Foi nessa situação que um amigo teve a ideia de fazer uma rifa pra pagar as mensalidades do curso do jardineiro. “E deu super certo. Conseguimos comover e motivar o pessoal, e foi um mutirão instantâneo. Conseguimos colocar as dívidas da universidade em dia”, disse o gari José Evangelista Moreira. A rifa foi totalmente vendida em duas semanas.

“Eu vim pra Comurg, né, e ele veio também. Coincidiu da gente vir trabalhar no mesmo local após o concurso para jardineiro e aqui ele me chama de “Papai”. A gente vai e volta junto, e quando ele decidiu estudar e se empenhou para isso, também demos todo o nosso apoio”, completou o amigo. 

A história dele e de Rogério é antiga: Evangelista não deixaria de forma alguma o amigo, que ele trata como filho, desistir do sonho de se tornar professor de História e Braille.

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