Neste celebrado romance de Elena Medel há duas mulheres: María, que no final dos anos 1960 deixa sua pacata cidade de província para trabalhar em Madri; e Alicia, que faz o mesmo caminho trinta anos mais tarde, por razões bem diferentes
Neste celebrado romance de Elena Medel há duas mulheres: María, que no final dos anos 1960 deixa sua pacata cidade de província para trabalhar em Madri; e Alicia, que faz o mesmo caminho trinta anos mais tarde, por razões bem diferentes. “Aa Maravilhas” é um romance sobre o dinheiro, ou melhor, sobre como a falta de dinheiro pode determinar uma vida inteira de precariedade e matar, um a um, todos os sonhos de alguém.
E, também, uma jornada sobre o passado recente da Espanha, do final da ditadura franquista até a explosão do feminismo, contada por duas mulheres que tampouco podem ir às manifestações lutar pelos seus direitos porque têm, claro, de trabalhar para garantir o seu sustento.
É notável que a literatura de Medel não ceda à tentação de observar suas personagens com a condescendência das vítimas nem com a admiração afetada das batalhadoras suadas. Talvez seja porque ela mesma tenha uma origem parecida.