Pacientes vão à Justiça e Americana custeia até tratamentos “de luxo”
A judicialização de medicamentos já abocanhou dos cofres públicos de Americana R$ 5,9 milhões só neste ano. É o montante gasto com remédios ou tratamentos de pacientes que moram na cidade e buscam a Justiça para tê-los pagos pela prefeitura – que pode recorrer, mas, em geral, é condenada a pagar.
No entanto, o recurso jurídico que deveria ser usado por quem não tem recursos para arcar com os custos, acaba sendo usufruído em cerca de 40% dos casos por pessoas comprovadamente de altas rendas.
Essa é a situação exposta por Fábio Joner, assessor institucional da Secretaria da Saúde.
Ele esclarece que os pedidos partem do amparo no artigo 196 da Constituição Federal, ao prever que a saúde é um direito de todos e dever do Estado, empregando a universalização do SUS (Sistema Único de Saúde).
A estimativa é que em 40% dos casos os processos partem de pessoas de classe média ou classe média alta.
Joner exemplifica com um medicamento contra enxaqueca que custa R$ 1,8 mil por mês, requisitado por um paciente que se consultou em hospital referenciado em São Paulo que cobra em torno de R$ 2 mil por consulta.
Embora muitas pessoas realmente necessitadas recebam a ajuda, associações de secretarias de saúde buscam implantar protocolos para que não ocorram abusos e as medidas possam atender quem comprovadamente não tem condições. No entanto, o público mais carente sequer sabe que tem esse direito, muito menos como buscá-lo.
As cifras apresentadas pelo assessor não consideram cirurgias, que têm uma proporção menor. Ele estima dois pedidos a cada 80 de medicamentos. Estas, sim, o município conseguiu barrar durante a pandemia, quando só foram priorizadas as urgências. Mesmo assim foram buscados procedimentos como cirurgia bariátrica.
O tratamento voltado à questão comportamental é requisitado mesmo por famílias que possuem plano médico particular. “A prefeitura mantém um contrato para atendimento num centro com todos os profissionais como fonoaudiólogo, psicólogo e terapeuta ocupacional. Nos planos, as famílias precisariam procurar cada profissional individualmente, então recorrem ao Judiciário para não terem esse trabalho de deslocamento”, explica, acrescentando que cerca de 30% dos atendidos têm plano médico. O contrato do município é na ordem de R$ 1,7 milhão ao ano para este atendimento.
Ele conclui que o atendimento às demandas “de luxo” incinde numa desassistência coletiva, por tirar recursos de outras áreas, o que os municípios buscam inibir criando protocolos que sejam capazes que garantir o atendimento sem abusos de quem tem condições de pagar por tratamentos.

