Operador atualiza nota e sugere importação de energia e mais termelétricas
O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) atualizou a nota técnica de monitoramento das condições do setor elétrico brasileiro e informou nesta quinta-feira (26) que, a partir de outubro, a capacidade atual do país de geração de energia elétrica será insuficiente para atender à demanda, podendo ocorrer o colapso do sistema. Segundo o ONS, é “imprescindível” aumentar a oferta de energia em cerca de 5,5 GW a partir de setembro.
Entre as soluções sugeridas pelo órgão para aumentar a oferta estão aumentar a importação de energia e colocar em operação mais usinas termelétricas que geram energia mais cara, o que deixa a conta de luz ainda mais elevada.
A seca na região Sul agravou as condições do setor elétrico brasileiro, que terá de apelar à energia armazenada nos últimos anos em hidrelétricas do Nordeste para garantir o abastecimento de energia nos próximos meses. A decisão preocupa os usuários do rio São Francisco, que conviveram por anos com restrições para poupar água.
RESERVATÓRIOS
Apenas em agosto, o nível dos reservatórios das hidrelétricas do sul despencou 17 pontos percentuais, atingindo 30,7% de sua capacidade de armazenamento de energia na terça-feira (24). A situação é melhor do que no Sudeste/Centro-Oeste, que tem 22,8% da capacidade, mas essas regiões perderam apenas 3,2 pontos percentuais no mês.
“Temos uma situação bastante crítica no sul”, comentou o diretor-geral do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Luiz Carlos Ciocchi. Ele diz que as chuvas de julho e agosto foram piores do que o esperado, o que demandou a adoção de novas medidas, como a proposta de programa de redução voluntária de consumo por pequenos consumidores e a determinação de economia de energia em prédios públicos.
Para substituir energia que deixa de ser gerada no Sul, o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) decidiu ainda flexibilizar as restrições à operação de hidrelétricas do São Francisco, que passaram anos respeitando limites máximos de vazão para recuperar os níveis perdidos na grave estiagem iniciada em 2013.
Os anos de restrição levaram os reservatórios do São Francisco dos 12% atingidos em agosto de 2017 para a casa dos 50% este mês.
O uso mais intensivo das hidrelétricas do Nordeste preocupa o Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, que teme o risco de voltar a conviver com baixos níveis de água.

