Considerada o último passo antes da adoção de um “lockdown”, a fase emergencial do Plano São Paulo de combate à pandemia do coronavírus começou na última segunda e, pelo menos na região de Americana, ainda não resultou em aumento significativo nos índices de isolamento social. A meta do estado é que ao menos metade das pessoas permaneçam em casa até o final do mês como forma de frear a disseminação do vírus, mas nesta segunda e terça, a média de isolamento na região ficou abaixo dos 40%.
No comparativo do índice de isolamento das últimas quatro segundas e terças-feiras, a região composta por Americana, Hortolândia, Nova Odessa, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré tem apresentado aumento no nível de isolamento, mas em escala pouco significativa, já que o isolamento social é tido pelos cientistas, além da vacina, como o método mais eficaz para evitar o contágio.
Conforme dados do Simi (Sistema de Monitoramento Inteligente de São Paulo), que utiliza dados das operadoras de celular para identificar, de maneira anônima, o índice de adesão da população ao isolamento social, no início da semana de 22 de fevereiro, quando a região de Campinas estava na fase amarela, o isolamento ficou na casa dos 36%.
Na semana seguinte, já com a região em fase laranja, praticamente não houve alteração nesse índice, permanecendo na casa dos 36%. Somente com a regressão da região para a fase vermelha, até então a mais restritiva do Plano São Paulo, em que bares e restaurantes não podem receber clientes, por exemplo, é que se viu alguma melhora, com a média batendo na casa dos 38,8%.
A expectativa do Centro de Contingência da Covid-19 ao anunciar a fase emergencial era tirar de circulação cerca de 4 milhões de pessoas que atuam em uma série de atividades econômicas que deveriam ser suspensas ou adotar o teletrabalho/home office.
A realidade vista desde segunda, porém, é de pouca alteração, comércios com portas entreabertas e escritórios que podiam adotar o trabalho remoto ainda recebendo seus funcionários. Esse cenário é comprovado pelos índices de isolamento, que atingiram, na média da região, 39,8% na terça. Ou seja, apenas um ponto percentual a mais que o índice da fase vermelha.
As cidades com melhor índice de isolamento social essa semana são Americana e Hortolândia. Em Americana, 40% das pessoas deixaram de sair de casa na segunda e 41% na terça. Já em Hortolândia, 39% se isolou na segunda e 42% na terça.
A cidade com o pior nível de isolamento é Santa Bárbara d’Oeste, em que os índices foram de 37% e 38% essa semana. A cidade tem o pior cenário de isolamento da região nas últimas quatro semanas.
LOCKDOWN
Questionado ontem sobre a possibilidade de adoção do “lockdown” – em que só se pode sair de casa para ir a serviços de saúde ou comprar comida -, o coordenador do Centro de Contingência da Covid-19, Paulo Menezes, disse que ainda é preciso analisar os resultados da fase emergencial em relação à transmissão da doença, internações e óbitos.
“O Centro já fez na semana passada recomendações de medidas drásticas, e o governador adotou a fase emergencial. Nós estamos monitorando a evolução da pandemia todos os dias. O que a gente faz hoje vai ter consequências daqui a uma ou duas semanas, então só vamos ver o resultado daqui a alguns dias, mas é preciso que todos colaborem”, disse.
Ele alertou para o fato de que, mesmo em fase vermelha, os índices de isolamento estarem apenas ligeiramente maiores. “Estamos avançando, mas não é o suficiente. Precisamos melhorar esses índices. Quando instituímos, disse que nós gostaríamos de chegar a mais de 50%, que mostraria que as pessoas estão se encontrando menos”, afirmou o médico.