Globo de Ouro premia ‘Nomadland’

Hollywood deu início à temporada pandêmica de premiações no domingo, com a entrega do Globo de Ouro, que celebra os melhores da televisão e do cinema. A primeira parte da noite foi marcada por política, com a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, a HFPA, fazendo um mea-culpa por não ter negros entre seus membros.

Já no fim dela, a Netflix, que acumulava impressionantes 42 indicações, teve motivo para celebrar. Ela deixou emissoras como a HBO e estúdios de cinema tradicionais para trás com dez vitórias. A maioria veio com “The Crown” foram quatro estatuetas, incluindo a de série de drama. O ator Chadwick Boseman, de “Pantera Negra”, venceu um prêmio póstumo de atuação.

A série de comédia escolhida foi “Schitt’s Creek”, enquanto a minissérie foi “O Gambito da Rainha”. Nas duas principais categorias de melhor filme, “Borat: Fita de Cinema Seguinte” saiu como a melhor comédia ou musical e “Nomadland”, como drama.

Durante a festa deste ano, como esperado, nada lembrou o glamour costumeiro do Globo de Ouro, já que a pandemia forçou que ele ocorresse de forma remota, com a maioria dos indicados acompanhando a cerimônia de suas casas.

As anfitriãs da noite, por outro lado, dispensaram as videochamadas. Tina Fey e Amy Poehler comandaram o evento de dois locais distintos. A primeira do Rockefeller Center, em Nova York, e a segunda do hotel Beverly Hilton, em Los Angeles, onde a noite de gala normalmente acontece. Ambos os endereços tinham uma pequena plateia de mascarados em mesas que respeitavam o distanciamento social.

Fey e Poehler falaram ainda dos desafios que a pandemia impôs ao parque exibidor, tirando sarro do fato de o ano passado não ter visto praticamente nenhum blockbuster chegando às telas de cinema.

História foi feita quando os vencedores começaram a ser conhecidos. Pela primeira vez em 37 anos, o troféu de melhor direção foi para uma mulher, Chloé Zhao, por “Nomadland”. A única que havia recebido a honraria antes foi Barbra Streisand, por “Yentl”, em 1984.

Também foi uma noite para relembrar a carreira de Chadwick Boseman, morto em agosto após uma longa batalha contra um câncer. Ele confirmou o favoritismo e levou o Globo de Ouro de melhor ator em um filme de drama, por “A Voz Suprema do Blues”. Sua mulher, Taylor Simone Ledward, aceitou o prêmio em seu lugar.

“Ele teria dito algo lindo, algo inspirador, algo que fosse amplificar aquela pequena voz dentro de todos os nós que nos diz para seguir em frente”, disse ela, às lágrimas.

Essas duas categorias foram anunciadas só na reta final do Globo de Ouro, antes, uma longa lista de vitoriosos foi anunciada. Logo no começo dela, no entanto, um problema técnico. O áudio do vencedor em melhor ator coadjuvante em filme, Daniel Kaluuya, de “Judas e o Messias Negro”, falhou. Laura Dern, que apresentava o prêmio, chegou a se desculpar e a sair do palco, mas a voz do premiado surgiu e ele voltou à tela.

O roteiro cinematográfico campeão foi o de Aaron Sorkin, que escreveu “Os 7 de Chicago”. Entre os indicados de televisão, Mark Ruffalo levou a estatueta de ator em minissérie por “I Know This Much Is True” e John Boyega, a de ator coadjuvante por “Small Axe”.

Em meio aos primeiros anúncios, uma pequena pausa. Três representantes da HFPA subiram ao palco para fazer um mea-culpa e se comprometer a atacar a falta de representatividade na organização. “Nós precisamos ter jornalistas negros e estamos ansiosos para um futuro mais diverso”, disseram.

Na seção de homenagens, a atriz e ativista Jane Fonda recebeu o prêmio honorário Cecil B. DeMille por sua contribuição para o cinema. Já o produtor e roteirista Norman Lear levou o troféu Carol Burnett, seu equivalente televisivo, por uma carreira que levou às telas temas urgentes e marginalizados em séries como “Tudo em Família”.

A abertura de envelopes com os nomes vencedores continuou com a categoria de melhor atuação feminina em série de drama, para Emma Corrin, atriz revelação que viveu Lady Di em “The Crown” e desbancou a colega de elenco Olivia Colman, a rainha da produção. Josh O’Connor, que interpreta o príncipe Charles da produção, foi escolhido como o melhor ator do gênero.

“The Crown” também levou os troféus de atriz coadjuvante, para Gillian Anderson, e, claro, o cobiçado prêmio de melhor série dramática.

“Io Sì”, canção italiana de “Rosa e Momo”, garantiu um Globo de Ouro para Diane Warren, Niccolò Agliardi e a cantora Laura Pausini. Já as notas de jazz da animação “Soul” conquistaram o prêmio de trilha sonora para Jon Batiste, Trent Reznor e Atticus Ross. Ambas são destinadas apenas a produções de cinema.

Das atrizes que apareceram nos filmes de comédia ou musical, Rosamund Pike foi a preferida, por seu trabalho na trama de humor ácido “Eu Me Importo”.

Entre as comédias da TV, Jason Sudeikis foi eleito melhor ator, por “Ted Lasso”. Catherine O’Hara, melhor atriz, pela última temporada de “Schitt’s Creek”, que ainda arrematou a estatueta de série de comédia.

Um dos filmes mais elogiados da temporada, o americano “Minari”, falado majoritariamente em coreano, saiu vencedor da categoria de melhor filme em língua estrangeira. Diferentemente do que ocorre no Oscar, o Globo de Ouro não permite que esse tipo de produção concorra às suas principais estatuetas, de melhor filme de drama e de filme de comédia ou musical.

Longos minutos depois de anunciar o melhor ator em minissérie ou filme para a TV, o Globo de Ouro voltou a esse tipo de produção para coroar Anya Taylor-Joy como atriz. Ela estrelou “O Gambito da Rainha”, escolhida como a melhor minissérie da noite.

Jodie Foster ofereceu uma das maiores surpresas da noite ao abocanhar o prêmio de melhor atriz coadjuvante em cinema, por “The Mauritanian”. A principal foi Andra Day, de “The United States vs. Billie Holiday”, também pegando todos de surpresa. O escolhido como melhor ator em comédia ou musical foi Sacha Baron Cohen, por “Borat: Fita de Cinema Seguinte”.

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