Os motociclistas foram as principais vítimas fatais nos acidentes de trânsito ocorridos na Região de janeiro a novembro deste ano. Das 55 mortes registradas em 11 meses, 25 foram de condutores de motos. Ou seja, 54,54% das fatalidades envolveram condutores deste tipo de veículo.
É o que aponta o Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo).
Em Americana, dos 19 óbitos em 11 meses, oito foram de motociclistas. Em Hortolândia, do acumulado do ano de 18 mortes, nove envolveram motos; em Nova Odessa, das cinco mortes, três envolveram motos; em Santa Bárbara, três dos oito mortos dirigiam motocicletas e, em Sumaré, dos cinco falecimentos, cinco envolviam condutores de motos.
O Infosiga apontou que o número de mortes no trânsito em novembro caiu 37,5% na região (de oito, em novembro de 2019, para cinco, em 2020). Também houve queda de 10,41% nas fatalidades na região no acumulado do ano (de 96 mortes em 11 meses em 2019 para 86, em 2020).
Há vários fatores que interferem nesses números. O professor de Engenharia Civil da Unicamp, Creso de Franco Peixoto, informou que bem antes da pandemia as rodovias concessionadas têm requerido que não levem em consideração a redução de acidentes envolvendo motos nas metas, porque dependem de campanhas nacionais.
Além disso, explicou o especialista, os condutores de motos e carros imprimiram maiores velocidades nos veículos por causa da maior fluidez do tráfego durante a pandemia, em razão da queda do movimento. E, com isso, aumentam os riscos de acidentes e de casos graves.
Outro fator foi o aumento considerável das entregas a domicílio na pandemia, com o consequente aumento das vendas de motos, no primeiro trimestre deste ano. “Houve busca de trabalho por moto, mas infelizmente a ideia de fazer mais viagens por dia, (os motociclistas) usaram a justificativa de ´abrir o gás´ para fazer mais receita em cada dia de trabalho e isso expõe risco mais excessivo”, explicou Creso. “O Estado precisa intervir”, disse o professor universitário.
Ao avaliar os dados, Creso explicou que a redução nas fatalidades em geral nos acidentes, é em decorrência da redução no volume de tráfego.
O secretário de Segurança, Trânsito e Defesa Civil de Santa Bárbara d’Oeste, Rômulo Gobbi, explicou que a aferição de um mês isolado não tem eficácia na estatística, pois muitas vezes um único acidente causa várias mortes. “O município utiliza os números do ano todo para propor políticas públicas que ofereçam maior segurança aos motoristas e pedestres”, mencionou Gobbi.
Em nota, a Prefeitura de Hortolândia informou que intensificou as ações na área de Mobilidade Urbana para salvar vidas e diminuir, ainda mais, os acidentes de trânsito, fortalecendo a segurança viária na cidade.
Segundo o Infosiga, Hortolândia cumpriu a meta de trânsito seguro no primeiro trimestre deste ano e registra os menores índices de violência no trânsito desde 2015, quando o órgão passou a disponibilizar as estatísticas.