A Bienal de São Paulo anunciou, nesta sexta (30), a realização de uma mostra precedendo a sua exposição principal, adiada para o ano que vem por causa do coronavírus.
Com 21 artistas – dez deles anunciados agora -, ela será inaugurada em 14 de novembro, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no parque Ibirapuera, e terá um mês de duração.
A mostra espalhará obras pelo pavilhão, sem paredes falsas para disfarçar as vastas dimensões do projeto de Oscar Niemeyer. À frente desta Bienal, o curador Jacopo Crivelli Visconti descreve essa arquitetura como uma aposta na força de reverberação dos trabalhos, cerca de um por artista. “Cada obra vai ter entre mil e 1.500 metros quadrados para irradiar”, descreve.
Os participantes desta mostra formam um grupo diverso. O curador-adjunto Paulo Miyada conta que há desde nomes ascendentes no circuito, como o da colombiana Gala Porras-Kim, a consagrados, como o japonês Koki Tanaka, representante do Japão na última Bienal de Veneza, passando por artistas já estabelecidos mas que nunca tinham participado de uma Bienal de São Paulo, como Paulo Nazareth.
O último, aliás, apresenta uma performance no pavilhão um dia antes da abertura oficial, transmitida virtualmente de modo a não gerar aglomerações.
Já os trabalhos em si prometem antecipar temas centrais da exposição do ano que vem. São assuntos como colonialismo, saberes ancestrais, e o poder da circulação de imagens, que vêm sendo explorados pela organização desde o início do ano, quando a peruana Ximena Garrido-Lecca abriu o que deveria ter sido a primeira de três individuais que antecederiam a mostra coletiva. Com o coronavírus, porém, os eventos seguintes foram cancelados.
É uma obra da performance americana Joan Jonas que batiza a exposição da Bienal de agora. Chamada de “Vento”, ela mostra um grupo de pessoas numa praia coberta de neve lutando contra o vento numa coreografia enigmática.
Crivelli Visconti compara a ação à estratégia da mostra de dispor poucos trabalhos pelo pavilhão. “Os dançarinos da obra parecem estar lá para que você veja o vento, é uma presença quase tangível”, ele diz. “O lugar pelo qual o vento passa, o silêncio que nos rodeou por todos esses meses, o isolamento que se derrete de alguma forma. Você percebe a importância de um espaço entre as coisas.”