Menos de 5% das escolas estaduais reabrem

Apenas 200 das mais de 5.500 escolas da rede estadual de São Paulo reabriram nesta terça-feira (8), primeiro dia que estavam autorizadas a retomar as atividades presenciais.

Segundo a Secretaria Estadual de Educação, a reabertura das escolas só foi liberada em 128 dos 645 municípios paulistas – menos de 20%.

No entanto, a proporção de unidades que optou pela retomada ontem foi ainda menor, cerca de 3,6% de toda a rede.

O número de alunos que frequentou as 200 escolas abertas não foi informado. Pela regra estabelecida pelo governo, as unidades estaduais podem receber, no máximo, 20% dos estudantes por dia.

A baixa adesão ao cronograma previsto pelo Estado é vista com com preocupação pela equipe do governador João Doria (PSDB), já que o desalinhamento mostra falta de confiança na análise do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo.

Pelo plano de Doria, cidades que estivessem há pelo menos 28 dias na fase amarela do Plano São Paulo – a terceira na escala de cinco gradações da quarentena – poderiam abrir as instituições de ensino públicas e privadas para atividades presenciais de reforço e acolhimento dos estudantes a partir desta terça.

A previsão é de que as aulas regulares sejam retomadas em 7 de outubro.

As maiores cidades do Estado, no entanto, optaram por não seguir o cronograma. Como foi anunciado na Capital paulista, cidades do ABC, da região de Campinas e da Baixada Santista.

Na capital, o prefeito Bruno Covas (PSDB) decidiu por não reabrir as escolas nesta data depois de um inquérito sorológico com estudantes da rede municipal indicar que cerca de 20% já foram infectados e que quase 70% desses casos foram assintomáticos.

Para a prefeitura, haveria o risco de que os alunos se tornassem vetores de contaminação.

Em outras cidades, como os municípios do ABC e Limeira, as prefeituras fizeram uma consulta aos pais e, depois de identificarem que a maioria não se sentia confortável com a reabertura das escolas, anunciaram que as presenciais só devem voltar em 2021.

Questionada sobre o nome das 128 cidades que liberaram a reabertura das escolas e em que região do Estado estão, a Secretaria não informou.

Para Celso Napolitano, presidente da Fepesp (Federação dos Professores do Estado de São Paulo), a baixa adesão das cidades e escolas demonstra a insegurança no plano apresentado pelo governo estadual.

“As famílias, os professores, os diretores das escolas estão todos inseguros com o plano apresentado, com as medidas de segurança apresentadas até agora”.

A proposta de que as atividades nesse primeiro mês sejam voltadas apenas para o acolhimento e reforço escolar dos alunos não incentiva a reabertura, segundo Napolitano.

“As escolas não querem arriscar, colocar seus alunos e professores em risco, para uma atividade que não foi bem desenhada, pensada. Não é para dar aula, mas não está claro como será esse reforço para uma minoria dos estudantes, quando a maioria deles teve dificuldade em acompanhar as atividades remotas”.

Doria diz que pode rever decisão

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou nesta terça-feira (8), em entrevista à rede de televisão por assinatura CNN, que, caso haja riscos para alunos e funcionários, a data prevista para a retomada das aulas presenciais poderá ser revista.

“Se houver qualquer risco à população de crianças, jovens, professores, gestores e fornecedores das escolas, esta decisão poderá ser revista, não há dúvidas nesse sentido”, afirmou, dizendo que a decisão não é dele, mas amparada nas secretarias de Saúde e Educação.

A volta às aulas presencial está prevista para 7 de outubro.

“Pode ser revisto, sim (a decisão de reabrir), mas a priori, em 7 de outubro as aulas poderão ser retomadas nas cidades que assim entenderem. Vamos respeitar a decisão dos prefeitos para que tenham autonomia nesse assunto. Por enquanto, está mantido”, disse o governador.

Em Sorocaba, álcool, máscara e ‘novo normal’

Depois de quase seis meses fechadas, parte das escolas particulares de Sorocaba voltou a funcionar ontem.

De máscara e frasco de álcool em gel na mochila, crianças voltaram aos colégios e conheceram um novo ambiente. Antes de entrar, tinham a temperatura medida e só alunos e funcionários são permitidos dentro da escola.

O colégio Uirapuru, por exemplo, consultou os pais para saber quantos tinham interesse em enviar os filhos. Dos cerca de 1.900 alunos, um terço optou pelo retorno.

Além da medição da temperatura dos alunos na entrada, os pais também tiveram que preencher uma ficha informando se a criança teve algum sintoma relacionado ao coronavírus nos últimos dias.

Depois que entram na unidade, as crianças tiram os sapatos para ficar em sala de aula. O colégio pediu para que os pais enviassem chinelos ou meias extras.

O colégio também orientou aos pais para que enviassem os filhos com máscaras brancas, sem desenhos. A medida é para evitar que as crianças queiram trocar o equipamento com os colegas.

Além da máscara branca, as crianças também tiveram de levar outras duas unidades, uma preta e outra cinza. Para que fossem trocadas a cada duas horas.

Nas salas de aulas, todas as janelas e portas devem ficar abertas todo o tempo, as carteiras também foram organizadas para que as crianças fiquem a 1,5 metros de distância uma das outras.

O colégio também reduziu o tamanho das turmas.

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