A pinguela sobre o córrego foi instalada com tábuas improvisadas, há uns cinco anos. O povo do lugar arrumou um atalho para ir do Jardim Mirandola ao Jardim Boer, e ganhou a opção de atravessar uma paisagem belíssima, tomada por eucaliptos, bambuzais e trechos de mata. Um lindo cenário. Ao mesmo tempo, no entanto, a população corre um risco tremendo.
A gleba verde encravada entre os jardins Mirandola e Boer tem trechos de mata fechada, como autênticas áreas de preservação. Mas houve sim trechos enormes de vegetação nativa devastada. A recomposição ciliar conseguiu recuperar a paisagem no trecho.
A pinguela usa como base uma velha estrutura metálica para tubulação de água. E cada peça foi amarrada com pedaços de arame. Improviso puro. No trecho onde uma tábua caiu, colocaram no lugar uma ripa ainda mais estreita. E o pedestre se equilibra, colocando um pé na frente do outro.
Se escorregar, o cidadão cai de uma altura de dois metros e se arrebenta lá embaixo, onde corre a água. No caminho só passa uma pessoa por vez. São 15 metros de extensão, de ponta a ponta. E a única “segurança” é um cabo de aço para apoiar as mãos, amarrado nos dois cantos em mourões podres.
A situação do terreno também é ameaçadora. As margens estão erodidas, e a estrutura corre o risco de desabar a qualquer momento. À noite, o perigo aumenta. Ninguém é maluco de atravessar a pinguela no breu. Além do risco de um acidente, o pedestre pode ser abordado por um assaltante ou um maníaco qualquer.
Moradores da região procuraram a reportagem do TodoDia com a esperança de, expondo o perigo, despertar a atenção do poder público. “O que a gente sonha é só com a instalação de uma passagem de pedestres mais larga, mais segura”, diz Mônica Vieira, que precisa atravessar a pinguela carregando o filhinho Artur no colo.
O caminho é usado por muita gente que mora em um bairro e trabalha no outro. Se não fosse o caminho improvisado, o pedestre teria de fazer uma caminhada de três quilômetros pela Avenida Parma, contornando a gleba verde. E quem se arrisca na travessia sabe o perigo que corre. “A gente se cansou de ver gente despencando lá pra baixo, e escalando o barrando todo enlameado para sair”, conta o construtor Sinésio Miguel de Oliveira.
Mas a maior preocupação é se uma criança cair. Durante o dia todo, a molecada corre de um lado para o outro.
Segundo Sinésio, no passado houve um grupo de moradores fazendo abaixo-assinado, prometendo levar à prefeitura algum ofício denunciando o perigo, pedindo alguma providência. Mas ninguém sabe quem protocolou o pedido, nem se o pedido foi de fato protocolado.
A reportagem questionou a prefeitura durante a semana sobre o assunto, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.