Representantes de um grupo formado por 200 empreendedores de Nova Odessa debatem, na manhã de hoje, propostas para o planejamento da reabertura gradativa do comércio. Dez empresários serão recebidos no Paço Municipal por secretários municipais, integrantes de uma comissão especial que tenta apresentar propostas que minimizem a crise instalada pela quarentena.
Orientados pela Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo), empresários de todo o Interior se mobilizam e negociam com seus respectivos prefeitos apoio à flexibilização do isolamento social.
Ontem, o governador João Doria (PSDB) anunciou que a reabertura dos setores produtivos do Estado será feita de forma gradual, de acordo com cada região do Estado, a partir do dia 11 de maio.
Em Nova Odessa, o grupo defende a retomada planejada das atividades econômicas, com respeito absoluto às regras de segurança determinadas pelos serviços de saúde para conter a propagação do vírus.
“Se houver flexibilização, todos ganham: empresas, funcionários, consumidores”, disse o industrial Wagner Sanerip. “Há empresas falindo, trabalhadores perdendo o emprego, e o risco de caos social é cada vez maior”, completou.
Administrador do grupo, Sanerip é dono de uma empresa que faz a selagem de cápsulas de café expresso.
“O comércio pode funcionar com o controle do acesso dos clientes, horários especiais, normas para evitar aglomeração, uso de máscaras. Pode haver a abertura responsável das lojas”, diz.
Sanerip sabe que o prefeito Benjamin Bill Vieira de Souza (PSDB) só vai concordar com a abertura gradativa do comércio se houver uma determinação do governador neste sentido. Mas o grupo segue a orientação da Facesp e pretende apresentar à comissão uma pauta de alternativas que possam ser analisadas.
CRÉDITO
A prefeitura reconhece a situação difícil dos pequenos e médios empresários, mas o fim da quarentena, pelo menos por enquanto, é descartado.
Segundo informações da própria administração, o colegiado especial criado pelo prefeito tem a função de dar suporte aos empresários no acesso a ajudas disponibilizadas por instituições de crédito.
Entre os benefícios abertos estão a prorrogação do prazo para o pagamento do ISSQN (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza) e a suspensão temporária da incidência de juros e multas sobre tributos municipais. As medidas fiscais já estão valendo.
“Vamos buscar junto a instituições de abrangência estadual e federal, como Banco do Povo e Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), programas de inovação e linhas de crédito específicas para pequenos e médios empresários. Nosso objetivo é ajudá-los a se reinventarem nesse momento”, explicou a secretária de Desenvolvimento Econômico e Gestão Social, Regina Pocay, integrante da comissão.
Facesp estima R$ 1 bi de prejuízo ao dia
A Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado São Paulo) faz campanha pela reabertura parcial do comércio a partir do dia 1º de maio. A paralisação das atividades do varejo faz com que R$ 1 bilhão deixe de circular diariamente na economia do País.
“A crise que o Brasil atravessa exige grandeza, discernimento e coordenação por parte dos governantes, para que não ocorram contradições, desperdícios ou a imposição de maiores sacrifícios à população do que os inevitáveis, que já são extremamente forte”, cita nota oficial da federação, divulgada na manhã de ontem.
A Facesp apoia medidas restritivas às atividades empresariais, mas considera que a quarentena prolongada traz impacto negativo, principalmente para os trabalhadores, primeiros a ser afetados pelo fechamento de empresas e perda de renda. A entidade se coloca à disposição dos governantes para colaborar para o planejamento de uma saída organizada do isolamento social.
“Passado mais de um mês do isolamento, parece lógico supor que os governos já dispõem de dados suficientes e exemplos de outros países, que permitam adotar medidas diferenciadas por regiões e setores (…)”, diz o relatório do órgão.
E o documento apresentado ao Estado vai além. “O setor privado – empresas, trabalhadores, profissionais liberais, por conta própria e informais – está sendo fortemente atingidos pelo resultado do empobrecimento do país. Por isso, cobram do setor público, nos três Poderes, e em todos os níveis, sua parcela de contribuição para superar a crise.”