Comissão questiona ações sobre incêndios criminosos

Os vereadores da Comissão Especial de Estudos da Gruta Dainese, de Americana, protocolaram ontem na secretaria da Câmara um requerimento em que pedem informações sobre as ações a serem tomadas pela prefeitura com relação a “incêndios criminosos” na cidade, especialmente na região da gruta, no Parque das Nações. Na quinta-feira passada (31) foi registrado o primeiro incêndio no local. No entanto, ao longo do ano passado, foram cerca de 30 casos, de acordo com a entidade Amigos da Gruta.

No requerimento, a comissão pergunta se existe alguma ação para conscientização da população contra incêndios criminosos e se serão realizadas ações de replantios e recuperação das áreas atingidas. O texto será discutido e votado em plenário na sessão de hoje.

“Solicitamos ações que envolvam as secretarias de Meio Ambiente e Saúde, no desenvolvimento de programas de conscientização para que seja evitada essa prática, além da secretaria de Educação, com campanhas em escolas, no intuito de mobilizar os estudantes, fazendo-os agentes ativos para evitar crimes ao meio ambiente e consequentemente à saúde do planeta e do ser humano”, apontam os parlamentares.

De acordo com o presidente da Amigos da Gruta, Eduardo Coienca, foram registrados mais de 30 incêndios na gruta em 2017. Já o primeiro deste ano ocorreu na última quinta-feira (31). Há a suspeita de que tenha sido um incêndio criminoso.

As chamas não atingiram a área reflorestada do local, que ganhou cerca de três mil árvores em março desse ano, através de uma parceria entre prefeitura e iniciativa privada. A segunda etapa de reflorestamento deve ocorrer em setembro, com o plantio de mais 2,5 mil árvores.

“Sorte que não queimou a área reflorestada. Foi a região da antiga horta que pegou fogo. Óbvio que qualquer incêndio preocupa, mas felizmente não atingiu essa parte”, disse Coienca.

DENÚNCIAS
O presidente da entidade aponta que os incêndios fazem com que animais peçonhentos, como escorpiões e cobras, saiam da área da gruta em direção às residências do bairro. “Esse desequilíbrio ambiental não é bom para ninguém. Além de poluir o ar, mata animais, plantas e causa esses outros problemas”, afirmou Coienca, que pede para a população denunciar.

“Quando é incêndio criminoso, quem vê geralmente não faz denúncia por medo de represália. A maioria dos incêndios são criminosos. Ano passado eu fiz uma denúncia e a pessoa que ateou fogo foi multada. É necessário para diminuir as queimadas”, comentou.

O OUTRO LADO
A Secretaria de Meio Ambiente de Americana informou que esteve no local e constatou “fortes indícios” de incêndio criminoso. Reforçou que desenvolve trabalho de conscientização em toda a região da Gruta nos últimos dez meses e que “o número de focos de incêndio nas imediações reduziu consideravelmente”.

O GPA (Grupo de Proteção Ambiental) faz patrulhamento “constante” no local e “intensificará ainda mais”, segundo a prefeitura. A secretaria reforçou, no entanto, que o medo de denunciar os infratores ainda é um problema.

“Mas cabe salientar que a identidade do denunciante é mantida em sigilo e que fotos ou filmagens são consideradas como provas, conforme legislação municipal. (…) Em parceria com a iniciativa privada, no local, e a secretaria já está indicando espaços dentro do Parque da Gruta para compensações ambientais, antes mesmo de o incêndio recente ter acontecido”, informou a prefeitura.

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