Números de janeiro a novembro de 2021 já superam todos os anos desde 2001, quando a contagem começou
Dois dos principais índices de produtividade policial terminam o ano de 2021 batendo recordes em 20 anos em Americana.
Conforme balanço oficial mais recente disponível na base de dados do governo do estado, de janeiro a novembro deste ano foram 918 prisões efetuadas pelas forças de segurança da cidade, o que já representa o maior número para um só ano desde o início da série histórica da Secretaria de Segurança Pública, em 2001.
Além disso, o número de flagrantes lavrados pela Polícia de janeiro a novembro atingiu 715 casos, e embora o ano ainda não tenha terminado, o número também representa a maior marca desde 2001.
Enquanto a população da Americana cresceu aproximadamente 34% nesses 20 anos, passando de pouco mais de 182 mil habitantes no início dos anos 2000 para 244 mil em 2021, segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o número de prisões efetuadas neste ano (918) é 115% maior em relação ao ano de 2001 (426 casos). É superior também ao número de ocorrências do gênero em todo o ano de 2020 (801) e de 2019 (882).
A quantidade de flagrantes lavrados neste ano (715 até novembro) também é bastante superior aos anos anteriores – 462 casos em 2020 e 354 ocorrências em 2019. Na comparação com o primeiro ano da série histórica, em 2001, quando ocorreram 421 flagrantes lavrados, a alta este ano é de 69%.
ANÁLISE
Para o delegado de Polícia Gelson Barreto, apenas estudos mais aprofundados poderiam determinar os motivos do aumento dos números relacionados a práticas de crimes e, consequentemente, do número de prisões realizadas.
Mas ele afirma que, além da otimização do trabalho das polícias na atuação e solução de ocorrências, o aumento da atividade criminosa está diretamente ligado às mudanças sociais.
“O aumento de prisões se deveu a uma mais oportuna ação das polícias frente principalmente aos crimes ocasionais. A atividade criminosa deve ser analisada sob dois fatores: pode ser ocasional ou habitual e até organizado. Cada espécie deve ser analisada no primeiro momento de forma isolada e depois em conjunto.
Para um levantamento estatístico mais realista sobre esses estudos deveria ser considerado o número de prisões por cada espécie de crime”, comenta.
“As prisões mais comuns são aquelas relacionadas aos crimes ocasionais, em que a repressão oficial se faz presente de forma mais rápida e não implica necessariamente em grande logística. Assim também os habituais, por causa da previsibilidade. Difícil é o combate ao crime organizado por sua complexidade e necessidade de grandes investimentos, principalmente da chamada inteligência policial. Do ponto de vista da Segurança Pública todo aumento de criminalidade é fator negativo, não desejado, visto que as forças de segurança pública visam em primeiro plano justamente evitar que o crime ocorra. E quanto a isso voltamos à questão da necessidade do estudo do crime por categoria: ocasional, habitual ou organizado.”, completa Barreto.
O delegado destaca ainda que, por conta das medidas de isolamento social adotadas durante a pandemia, alguns crimes, como a violência doméstica, passaram a ser mais frequentes.
“O fenômeno da pandemia implicou sim, conforme constatação pessoal, em um aumento principalmente dos casos de violência doméstica, por ter sido imposta uma proximidade maior e mais duradoura entre pessoas, dando oportunidade à eclosão de conflitos. O estresse determinado por essa proximidade, aliado a problemas financeiros, por exemplo, tem sido fator determinante para aumento desse tipo de crime”.
DIG elucida 263 casos e recupera R$ 1,5 milhões
Balanço divulgado nesta quinta-feira (30) pela Polícia Civil aponta que somente a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Americana foi responsável por 149 prisões efetuadas neste ano, 41 delas em flagrante.
A delegacia também esclareceu 263 ocorrências e registrou a recuperação de mais de R$ 1,53 milhão em dinheiro e bens.
Ainda no balanço de produtividade da DIG constam a apreensão de aproximadamente 209 quilos de maconha e outros 185 quilos de cocaína ao longo do ano. Foram 168 mandados de busca e apreensão cumpridos, 504 sigilos telefônicos quebrados e nove bancários, além de 22 interceptações.
“Conseguimos manter a produtividade da polícia no mesmo patamar que do ano passado, mesmo com a diminuição do contingente”, explica o delegado da DIG, José Donizeti de Melo.
A DIG de Americana contava até o final de 2020 com nove investigadores, número que caiu para cinco depois da readequação de funcionários promovida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.
“A expectativa é que sejam realizados novos concursos para que o número de policiais aumente, pelo menos, ao que era antes”, completa o delegado.
Na avaliação de Melo, não houve um aumento no número de crimes cometidos em relação ao ano passado, mesmo com a pandemia.
“Os índices se mantiveram. Já temos ações em andamento para 2022, uma vez que a ação é contínua. Temos dado ênfase no trabalho realizado com o auxílio da tecnologia, que é por onde conseguimos reunir provas, por exemplo, e vamos contar cada vez mais com isso”, destaca o delegado.

