Isaquias: o cara da canoagem

Ouro conquistado em Tóquio e prata e bronze no Rio traduzem o resultado do trabalho e dedicação do atleta

ESFORÇO | “Eu precisava mostrar ao Brasil que não foi sorte, que foi trabalho de quem veio se dedicando desde 2016” (Foto: COB)

As três medalhas nas Olimpíadas do Rio (duas pratas e um bronze) não foram suficientes para dar a Isaquias Queiroz uma certeza. Ele ainda considerava importante cumprir um novo ciclo para que não restassem dúvidas nem para ele nem para o público. Chegou aos Jogos de Tóquio com a pressão e a expectativa por resultados que não teve em 2016, sem a orientação do técnico que o levou ao seleto grupo de medalhistas, e com o compromisso de mostrar que era possível dar continuidade à sua evolução mesmo sem Jesús Morlán. O ouro no C1 1000m, conquistado na semana passada, lhe deu o direito de fazer uma afirmação: ele é o cara.

“Hoje eu posso falar que eu sou o cara da canoagem do Brasil. Porque eu precisava mostrar que não foi sorte, que foi trabalho de quem veio se dedicando após 2016. Podiam falar ‘você é um dos maiores atletas do Brasil, já escreveu seu nome na história”, e eu falava que só ia me reconhecer como um dos maiores atletas do país quando encerrasse minha carreira. Mas acredito agora que esses Jogos acabaram afirmando o quanto eu tenho de talento, o quanto eu trabalho, o quanto me dedico. O quanto tenho vontade de representar as cores do meu país, o quanto amo subir no pódio. Eu queria ir pra lá e mostrar que sou esse cara de verdade que todo mundo conhecia, guerreiro, trabalhador, que não tem medo do adversário”, disse Isaquias.

Mesmo confiante por natureza, ele admitiu ter sentido um certo receio quando passou a acompanhar as reportagens que tratavam de um tema que mereceu atenção nessas Olimpíadas: a importância da saúde mental. “E saiu tanta coisa na mídia que fiquei meio preocupado, de problema psicológico, essas coisas, que até me afetou. Pensei: ‘será que isso existe mesmo, é verdade?’. Só que eu vi que eu treinei e que era capaz de fazer aquilo. Eu sabia o quanto eu estava andando, o cronômetro não estava mentindo. E a gente mostrou para todo mundo que eu estava um nível acima dos meus adversários”.

Por enquanto, o campeão olímpico evitar criar expectativas para Paris-2024. Sabe que para chegar competitivo precisará de um tempo de descanso. “Agora é seguir com o objetivo de melhorar um pouco mais. Um pouco mesmo porque quando se chega no alto nível é difícil você melhorar muito, né? Vai de pouco a pouco, de grão em grão. Vou ter que descansar meu corpo. 

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