O preço médio do gás de cozinha subiu 19,5% em 10 cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas), no período de junho do ano passado para junho deste ano.
Os dados constam no site da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que acompanha a evolução dos preços semanalmente. Em algumas cidades, o botijão ficou até R$ 17,66 mais caro.
A cidade da RMC que registrou maior elevação de um ano para o outro foi Sumaré. Em junho de 2017 o preço médio praticado era de R$ 50,47, o menor da região. Porém, o valor subiu para R$ 68,13 neste ano, aumento de R$ 17,66, o terceiro mais caro da RMC.
O segundo maior aumento ocorreu em Indaiatuba, com elevação de R$ 51,50 para R$ 68,11, ou seja, R$ 16,61 mais caro. A menor elevação foi registrada em Americana, com salto de R$ 55,47 para R$ 63,33 (R$ 7,86 de acréscimo).
O preço médio nas 10 cidades da RMC em 2016 era R$ 54,71, mas subiu para R$ 65,38, alta de 19,5%.
No cenário nacional, a Petrobras anunciou na última quarta-feira um reajuste de 4,4% no preço do gás de cozinha em botijões de 13 quilos, o mais usado por consumidores residenciais. A estatal justificou o aumento dizendo que a situação reflete a desvalorização do dólar e a elevação de cotas internacionais no mesmo período. Foi o primeiro aumento desde que a periodicidade trimestral de reajustes foi implantada – em janeiro, houve queda de 5% e em abril, de 4,4%.
INFLAÇÃO
Na visão do economista e professor da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Francisco Crocomo, a elevação do preço do gás e o novo reajuste da Petrobras são sinais que reforçam a tendência da inflação continuar em elevação.
“O que a gente está percebendo é que a inflação não vai repetir a mesma performance do ano passado. Com todos os aumentos dos combustíveis, greve dos caminhoneiros, gás e energia elétrica, é impossível a gente ter uma inflação controlada”, analisou.
O especialista acredita que o reajuste da Petrobras pode provocar reflexos no preço do gás para o consumidor final. “Grande parte do gás é importado, o dólar está alto. A inflação só não sobe mais porque tem desemprego, o que diminui a demanda. Esse preço maior afeta a vida de todo cidadão. Tem regiões do Brasil mais complicadas ainda, em que famílias recorrem a lenha para não usar gás”, apontou Crocomo.