Comércio quer plano de recuperação

A Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo) negocia com o governo paulista os detalhes de um plano de resposta e recuperação econômica, diante da economia paralisada com o enfrentamento do coronavírus.

De acordo com dirigentes da entidade, os encontros agendados com a secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen, vão descrever as especificidades econômicas de cada região, e relacionar as demandas mais urgentes.

E as associações comerciais e industriais da região, no caso, vão assumir importante papel no processo, intermediando o acesso de cada empreendedor às linhas de crédito que já estão sendo abertas por bancos públicos e privados.

O presidente da Acia (Associação Comercial e Industrial de Americana), Wagner Armbruster, informou à reportagem do TODODIA que só aguarda a definição das regras do acordo com o Estado para tornar viável o acesso dos micro e pequenos empreendedores ao crédito de forma rápida e desburocratizada.

O plano prevê a criação do Fórum de Representação do Comércio, que terá participação direta das associações comerciais do Interior e da Grande São Paulo. “As associações serão protagonistas nos debates em torno da crise”, disse o presidente da Facesp, Alfredo Cotait Neto.

O empenho dos comerciantes pela flexibilização da quarentena passa pela reabertura pontual e regionalizada das atividades econômicas, bem como pela postergação de impostos.

Para isso, cada presidente de associação vai negociar com seu prefeito regras para a cobrança dos tributos. Caso isso não aconteça, o presidente da Facesp afirma que a recessão será catastrófica.

“O empreendedor precisa ter condições de arcar com a folha de pagamento e, assim, manter os empregos e as portas abertas”, afirmou Cotait.

RENEGOCIAÇÃO

Os comerciantes também adotam estratégias especiais para facilitar a quitação das dívidas assumidas pelos consumidores. Forma encontrada de garantir a entrada de recursos em caixas e, ao mesmo tempo, prestigiar a clientela em um momento tão complicado da economia.

A Acic (Associação Comercial e Industrial de Campinas), por exemplo, está ampliando, de dez para 45 dias, o prazo para que os devedores (pessoas físicas ou jurídicas), tenham o nome negativado a partir do momento em que são comunicados da dívida. O objetivo é fazer com que devedores e credores tenham um prazo alongado para negociar.

A medida será válida pelo período de 90 dias, podendo ser prorrogada, caso necessário.

“Tentamos minimizar os efeitos da pandemia sobre as empresas e os consumidores. E vamos complementar as medidas sempre que necessário”, disse Adriana Flosi. presidente da Acic, e que também é vice-presidente da Facesp.

Apenas no primeiro trimestre de 2020, 159.710 consumidores tiveram seus nomes (CPFs) negativados em Campinas e 104.820 conseguiram ser excluídos após a renegociação das dívidas. Desta forma, o mês abril começou com 54.882 inadimplentes.

Para Adriana Flosi, a renegociação do crédito é uma medida responsável para que a economia e o bem-estar social se restabeleçam de forma sustentável, e permitam a retomada das atividades produtivas do País.

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