‘Americana está adormecida’

Rafael Macris, pré-candidato do PSDB à Prefeitura de Americana, carrega um sobrenome forte, de longa tradição na política americanense.  Filho do deputado federal Vanderlei Macris e irmão do deputado estadual Cauê Macris,  o prefeiturável, de 30 anos, fala que pretende honrar a trajetória dos parentes. E conta com a ajuda deles na busca por recursos do Estado e da União para a execução de projetos que interessam a Americana.

À frente da prefeitura, Rafael pretende fazer da cidade,  outra vez, uma terra de oportunidades, fértil na oferta de empregos e  referência em desenvolvimento. Quer também aprimorar a prestação de serviços públicos essenciais e ouvir a população para estabelecer as prioridades do governo.

Confira os principais trechos  da entrevista do pré-candidato tucano.

TodoDia – A imagem de Rafael Macris é, naturalmente, associada à de seu pai, o deputado federal Vanderlei Macris, uma das principais lideranças políticas da história da cidade.  Fale se sua formação, sua relação pessoal com a cidade e suas aspirações.

Rafael Macris – Sou de família americanense. Na infância, sempre vivi entre Americana e a Capital porque meu pai era deputado estadual. Também foi em São Paulo que estudei. Fiz engenharia no Instituto Mauá de Tecnologia e conclui a pós-graduação em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas.  Tive uma experiência profissional importante na multinacional PepisCo, e hoje mantenho em Americana a minha própria empresa, do setor imobiliário.

Mas também abraçou a carreira  política. Foi o candidato a vereador mais voltado no último pleito, com 3.568 votos. Como avalia sua atuação no Legislativo?

Sempre tive uma postura independente, votando projetos em favor da população e cobrando e questionando o Executivo quando preciso. Tive a satisfação de ser líder de governo, mas também fui relator da CEI do DAE – com relatório final entregue ao Ministério Público – e acompanhei o processo de dificuldades do americanense com o serviço prestado no abastecimento de água. Priorizando a inovação e gestão pública, tive a honra de propor o Programa Saúde Já, na busca de encontrar uma solução para a enorme fila para consultas com especialistas que se acumulava, com a  falta de médicos. A parceria com consultórios e clínicas particulares para oferecimento de consultas já atendeu mais de 20 mil pessoas. E não fiquei só na proposta. Fui até Brasília e conquistei recursos na casa de R$ 1,8 milhão para financiar a implantação do projeto. Ainda mantive um gabinete com gastos controlados e respeito absoluto aos recursos públicos.  Nunca solicitei carro oficial, devolvi todos os celulares disponíveis do mandato; combati firmemente a proposta de aumento de salários dos vereadores e  impedi a criação de novos cargos na Câmara.

Como a pandemia influenciou suas decisões em plenário? Como, enfim, o vereador Rafael Macris colaborou para que a cidade enfrentasse a crise?

Na pandemia, apresentei o projeto de redução de salários dos vereadores, prefeito, vice-prefeito, secretários e cargos comissionados para ajudar no enfrentamento à doença. Antes disso, por três meses e de forma voluntária, doei metade do meu salário para combate ao coronavírus. Assim, ajudei a doar toneladas de alimentos ao Fundo Social de Solidariedade e centenas de máscaras de acrílico  para os profissionais de linha de frente da área da Saúde.

Até que ponto os laços de parentesco com políticos famosos são benéficos na campanha? Não teme ser associado a políticos de carreira, por exemplo?  A oposição deve  usar o tema como trunfo. Como você vai se defender?

É com a ajuda deles, meu irmão Cauê Macris, presidente da Alesp, e meu pai, o deputado federal Vanderlei Macris, que eu serei o único candidato com acesso direto aos governos estadual e federal, o que será fundamental para Americana no pós-pandemia, para a conquistas de recursos e busca de investimentos. Nossa cidade vai precisar e muito deste relacionamento e tenho a grata satisfação de ter portas abertas. Tenho muito orgulho da minha família e eles vão estar ao meu lado na campanha e na gestão, caso eleito. Para mim é um diferencial ter o apoio de dois deputados com passado limpo na história na cidade. Isso só me estimula a seguir com o projeto. Sou Macris e quero escrever a minha própria história. Tenho um sonho de, junto com a população, deixar um legado focado na gestão inovadora.

Quais são os setores da cidade que precisam melhorar? Qual será sua principal missão na prefeitura?

Meu objetivo é fazer com que Americana volte a ser uma terra de oportunidades, como já foi. Muitas famílias vieram pra cá em busca de realizar sonhos. Americana era uma terra fértil em empregos, era importante para o progresso do  País. Americana está adormecida, queremos acordá-la.  O carro-chefe da nossa campanha é o desenvolvimento: atrair empresas, gerar empregos. Isso reflete diretamente na dignidade da população, em qualidade de vida. E não vamos deixar de enfrentar os problemas críticos na prestação de serviços à população.

Quais são os setores críticos?

O abastecimento deficiente de água, por exemplo. Apesar dos esforços do prefeito Omar, é um dos piores. Vou exigir atendimento de qualidade com custo acessível no transporte público;  estudar mudanças na Área Azul (que tem um dos valores mais altos da região) e no sistema viário. A mão única do Viaduto Amadeu Elias, por exemplo, afeta diretamente moradores e comerciantes, afetando a vida pulsante da cidade. Basta conversar, estar aberto às propostas.

Como vai ser formado o secretariado? Já tem nomes?

Ainda estamos muito longe para tratar deste assunto, precisamos passar por convenções, definir  o plano de governo e ganhar nas urnas. Com certeza, os profissionais que pensam e sonham conosco a Americana do futuro serão vistos com bons olhos para a formação de um secretariado moderno e comprometido, se eu tiver a honra de ser o prefeito.

O Roger Williams,  vice do Omar,  vai ter espaço na administração municipal?

Roger, que foi cotado a pré-candidato à prefeitura no PSDB, cumpriu um excelente papel ajudando a cidade como vice-prefeito.  Estará forte na campanha e tem espaço não só na próxima gestão municipal como em qualquer gestão pública do país, sobretudo pela bagagem e conhecimento.

O governo atual já recebeu críticas porque devia ter destinado mais recursos à área social.

Quero fortalecer sim toda a rede de atenção social com mais investimentos. Quero voltar imediatamente com programas efetivos para auxiliar pessoas em situação de rua. Trabalhar na integração de toda a rede de assistência social. Já estamos avançando, por exemplo, com o Banco Municipal de Alimentos,  que prevê alimento na mesa de mil famílias em situação de extrema pobreza. O olhar do administrador tem que estar, principalmente, no necessitado. Esta é a base, é a prioridade. Importante lembrar que o social engloba outros setores como saúde, educação, cultura, esporte, moradia e segurança. Um conjunto de fatores que, fortalecidos, garantem uma rede de serviços públicos fundamentais para os mais vulneráveis.

Rafael Macris é uma jovem liderança política.  Mas, no contexto atual, sobra tempo para ser jovem?

Acordo cedo e durmo tarde. Divido o tempo entre a Câmara, minha empresa, minha família.  E arrumo tempo para jogar tênis com meu avô Galvão, para curtir meus pais, meus irmãos, minha namorada Gabi, meu cachorro Jorge André. A diversão principal é estar com os amigos e praticar esportes. Mas meu trabalho é estar com as pessoas. Adoro jogar bingo com a turma da Terceira Idade, por exemplo. Ouço o povo e me divirto ao mesmo tempo.

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