O estilista italiano naturalizado francês Pierre Cardin, que eternizou seu estilo futurista e designs inspirados na Era Espacial, morreu na manhã desta terça-feira (29), aos 98 anos, no hospital de Neuilly, ao oeste de Paris. A informação foi confirmada à AFP pela família, sem citar a causa da morte.
“Todos temos orgulho da sua ambição tenaz e da ousadia que demonstrou ao longo da vida. Homem moderno de muitos talentos e energia inesgotável, ele aderiu cedo ao fluxo da globalização de bens e das trocas comerciais”, disse a família em nota.
Cardin nasceu na Itália, mas sua família se mudou para a França quando ele tinha dois anos, para fugir da ascensão do fascismo no país. Após a 2ª Guerra Mundial, ele se tornou aprendiz do então desconhecido Christian Dior, depois fundando sua própria grife nos anos 1950.
O estilista ganhou proeminência mundial nos anos 1960, apostando na mistura de tendências e na popularização da alta costura. Cardin foi um dos primeiros estilistas a licenciar o logo de sua grife para outros produtos, como perfumes, cosméticos, canetas e cigarros. Também foi pioneiro ao desenhar uma coleção “prêt-a-porter”, uma linha de roupas “pronta para vestir” para um público não atendido pelas grifes à época. Além disso, apostou nos mercados asiáticos da China e do Japão, bem como a Rússia, quando estes países ainda não eram alvos para o mercado da moda.
Nos anos 1970, visitou a NASA e experimentou o traje de astronauta usado por Neil Armstrong na viagem à Lua. Inspirado, Cardin chegou a desenhar uma nova versão do traje espacial para a agência norte-americana e incorporou noções da ficção científica e da viagem espacial em suas coleções.
Nas décadas seguintes, o estilista diversificou seus negócios, desenhando interiores para carros, abrindo lojas de móveis e decoração, comprando redes de restaurantes e hotéis. Cardin também foi mentor de outros estilistas, como Jean-Paul Gaultier, que descrevia como “uma personalidade provocativa”.